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Sexta-feira, Março 04, 2005
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Vamos comemorar!!!
Minhas aulas começaram essa semana e meus colegas - autênticos membros da "geração blog" - já dão os primeiros sinais de devaneios. Esse ano, me formo - finalmente! - em jornalismo e, como não podia deixar de ser já começaram os preparativos para festa, colação de grau essas coisas... Já começou também aquele papinho de "o ritual de passagem" deve ser respeitado; "faço isso para dar alegria à minha família" etc. Uma besteirada sem tamanho. Quer dizer tem tamanho, e é bem grande, pois soube hoje que querem fazer uma baita festa com banda que cobra cachê de R$ 8 mil, whisky Red Label, Prosseco e outras frescuras. Ou então uma viagem ao Club Med, ou ainda um cruzeiro (!!!).
Comecei a pensar em adiar minha formatura, quem sabe eu dava a sorte de meus calouros serem um pouco mais conscientes. Mas desisti quando lembrei que meus veteranos tiveram as mesmas vontades, e o pior, realizaram-nas! Isso quer dizer que tal empolgação de final de curso e comum a todos estudantes de Comunicação, quiçá de todos os estudantes universitários brasileiros.
Lembrei-me da minha formatura no centenário Colégio Santo Inácio. Eu usei beca!!! Que me desculpem os tradicionalistas, mas não existe nada mais ridículo que beca. O sentido de tal vestimenta já se perdeu na época que o ensino superior significava uma elite cultural, na época em que as faculdades não eram essas indústrias de diploma. Na era do crescimento exponencial da Universidade Estácio de Sá, beca é uma tradição mais do que vazia, é uma tradição bizarra.
Volto à parte financeira. Como já disse, vou me formar em jornalismo. Desde quando um monte de jornalistas recém-formados pode fazer uma festa de gala para mais de mil pessoas? Só nesse nosso mundinho ridículo. Outra pergunta: onde estão aquelas preocupações, aqueles lamentos que tanto ouço dos meus colegas de faculdade sobre o mercado de trabalho. Quantos de nós conseguiremos nesses primeiros anos ganhar o suficiente para o auto-sustento? Quantos de nós ganharemos nos próximos quatro anos o mesmo que gastaram com estudo nos últimos quatro anos?
Assim, essa terra-do-nunca das festas de final de curso passa a ser simples entorpecentes para ajudarem a esquecer a pauleira que vem pela frente, misturado com um outro entorpecente que seria a entrega do diploma aos responsáveis. E, entorpecidos, eu e mais 199 comunicólogos entramos no mercado de trabalho.
Bem, a volta deste blog não foi com tanta "força total" quanto imaginei no final do ano passado. Primeiro porque não consegui disponibilizar um novo layout. Segundo porque não consigo resolver o problema dos comentários. Entretanto, espero superar tais problemas nos textos. Enquanto nada se resolve, peço paciência e prometo que os comentários mais interessantes mandados por e-mail (movimentoduarte@hotmail.com) serão postados aqui.
Finalmente, o Movimento Duarte voltou. Desculpem tão longa ausência.
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Domingo, Dezembro 19, 2004
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Amigos,
O Movimento Duarte volta com força total em 2005.
Feliz Natal a todos e um excelente ano novo.
João Paulo Duarte
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Sexta-feira, Novembro 26, 2004
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Ídolo do Movimento
Tom Wolfe
 divulgação
Pela primeira vez assumo aqui alguém que admiro tanto que a obra dele influencia - e muito! - o meu trabalho jornalístico. O velho jornalista norte-americano Tom Wolfe é alguém que posso chamar de exemplo para o jornalismo, ele fez - junto com outros nomes que respeito demais, como Gay Talese - o que eu tanto escrevo aqui: parou de se padronizar e inventou uma maneira própria de fazer jornalismo.
Hoje, lendo o jornal "O Globo" não fiquei muito feliz com a matéria sobre ele. A jornalista copila uma crítica do "New York Times Review of Books", e não interpreta a qualidade do livro. Sabemos da crítica deste referido jornal americano - o qual eu também respeito muitíssimo, berço de Gay Talese - mas não temos outra visão. Bem, eu não li o novo livro de Wolfe, mas o último que li "Ficar ou não ficar" é excelente, assim como "Fogueira das Vaidades". O primeiro uma coletânea de crônicas, o segundo um romance maravilhoso sobre os yuppies do final da década de 1980. Deixo, então, apenas uma rápida biografia escrita pelo "O Globo" de hoje.
Oportunista literário
por Helena Celestino de Nova York, para "O Globo"
Thomas Kennerly Wolfe Jr. nasceu em Richmond, Virginia, no dia 2 de março de 1931. Lá cresceu e se formou na Universidade de Washington e Lee. Seu doutorado em Estudos Americanos, finalizado em 1957, foi realizado na Universidade de Yale. Hoje com 73 anos de idade, Tom Wolfe vive em Nova York.
Tom Wolfe trabalhou como repórter para os jornais "The Washington Post" e "The New York Herald Tribune". Também escreveu para as revistas "New York", "Esquire" e "Harper's". Ao lado de Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote, ele foi responsável pela criação do New Journalism, uma corrente que propunha mudanças no modo como se apura, redige e edita a notícia, utilizando-se de técnicas da literatura de ficção e mantendo uma visão mais humanitária na abordagem, contrariando a distância do jornalismo tradicional.
O livro anterior a "I am Charlotte Simmons" foi "Um homem por inteiro", de 1998, que levou 11 anos para ser escrito. E que em menos de um dia foi atacado por colegas como Mailer, John Updike e John Irving. Os três ("patetas", como depois Wolfe apelidou) disseram que o autor, que cobrou um adiantamento de US$ 7,5 milhões para escrevê-lo e vendeu de saída 1,2 milhão de cópias, não sabia escrever.
Depois de escrever dois de seus livros mais famosos, "Os eleitos" (1979) e "A fogueira das vaidades" (1987), Wolfe assumiu que é um "oportunista literário" ávido por refletir em sua obra o mundo que o cerca. O primeiro era sobre a corrida espacial da Nasa e um retrato do otimismo americano. No segundo, os protagonistas são um reflexo da geração "yuppie" ambiciosa de Nova York, da era de Reagan.
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Sábado, Novembro 20, 2004
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Mais uma vez um dos colaboradores mais polêmicos do Movimento Duarte escreve. Rodrigo Pian - outrora meu maior debatedor - dispara agora contra a mitificação dos falecidos. Aproveitem e movimentem-se!
Heróis Mortos Futebol Clube
por Rodrigo Pian
Morrer é a melhor coisa que pode acontecer a qualquer pessoa na face da terra. Não falo isso porque vejo na morte a saída para essa vida atribulada, estressante e até mórbida dos dias de hoje. Não sou nem nunca serei adepto desses clichês existenciais. Digo isso porque enxergo na morte a única maneira de alcançarmos ser o que jamais, durante a vida, realmente conseguimos. Fico impressionado com o jeito que a morte consegue expugnar todos nosso pecados e erros mundanos e convertê-los nas mais honrosas e exemplares virtudes. O marido adúltero transforma-se no chefe de família zeloso, o bêbado vira o poeta e o insano transmuta-se no profeta carregador da mais infalível previsão. Assim surgem os ídolos. Assim nascem os heróis.
Yasser Arafat é o mais novo membro dos Heróis Mortos Futebol Clube. Sua morte o fez alcançar um patamar que nunca, durante sua vida, ele conseguiria, ou mesmo imaginaria, um dia alcançar. Morreu como herói, ídolo, santo. Morreu como líder de um povo sofrido, capaz de lutar até o último fôlego de sua vida pela paz entre judeus e palestinos. Sua morte apagou da memória do homem o fato de que, não faz tanto tempo assim, o nome Yasser Arafat era sinônimo de terrorismo. Liderou ataques contra sinagogas, plantou bombas em restaurantes judaicos, foi responsável pela morte de milhares de israelenses. Mas tudo isso foi esquecido, deletado, excluído, única e exclusivamente por causa de sua morte.
Ernesto Che Guevara também foi outro herói beneficiado pela sua própria morte. O líder da Revolução Cubana morreu porque foi prepotente. Morreu tentando libertar um povo que não queria ser libertado. Erro débil. Mas foi o suficiente para torná-lo o bastião da igualdade entre os homens, baluarte de uma sociedade mais justa e menos opressora. Morreu à toa. Mas disso nunca ninguém vai lembrar.
A morte é e vai continuar sendo a melhor coisa na vida de um homem, por mais estranho e paradoxal que isso possa parecer. Já imagino as notícias das mortes de figuras como Nelson Mandela e Fidel Castro. Todas elas enaltecendo os líderes que foram, exemplos para a humanidade. O fato do primeiro ter matado ou mandado matar centenas (ou milhares) de branquinhos de olhos claros e do segundo ter levado um país direto para a miséria e de ter exterminado quem ousasse reclamar? Isso não vale a pena lembrar. O que importa é que estarão mortos.
Não vejo a hora de morrer. Quero também ter o direito de ter meus pecados apagados e minhas virtudes aumentadas. Quero ter meus gols de pelada de final de semana convertidos em obras-primas do futebol mundial e não como meros empurrões para o gol vazio. Quero que minha expulsão do Colégio Santo Inácio seja lembrada como um ato político-social e não como uma conseqüência da minha imaturidade e infantilidade. Quero que minha paixão pelo Botafogo Futebol e Regatas seja narrada como inconseqüente, frenética e descontrolada (mas isso ela foi, sem sombras de dúvidas). Quero até ser lembrado como freqüentador da quadra da Portela, por vezes acompanhado de figuras como Paulinho da Viola e de toda a Velha Guarda, quando na verdade eu até trocava de canal quando os mesmos apareciam na televisão.
Enfim, não vejo a hora da morte me fazer um homem melhor.
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Quarta-feira, Novembro 17, 2004
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Perfil no Movimento
Quando no show do Dread Lion - numa Fundição Progresso lotada - Luis Carlinhos, vocalista da banda, falava à platéia que cantaria a música de Paulo Albano, "um compositor excelente da PUC". Era "Luto pela paz", e a galera já sabia cantar (o Dread havia gravado essa música no último disco "Já é"). "Eu luto pela paz/ eu luto pelo amor/ eu troco a minha pele por um buquê de flor/ eu luto pela paz/ e a liberdade raiou..." Nesse exato momento, Paulinho, como é conhecido entre amigos, chegava em Nilópolis, onde mora, depois de um dia inteiro de trabalho na PUC. As mais de três horas de ônibus deixam o servente ainda mais cansado, exaurem a energia que restava depois de carregar cadeiras, consertar portas e fazer outros "serviços gerais". Paulinho janta com Leide, Patrick, Leidimila e Luiza - mulher e filhos - e, antes de dormir, ainda relê algumas passagens de "Esteira de espumas", uma coletânea poesias de Castro Alves. Na dedicatória, o músico João Bina escreveu: "Ao meu amigo poeta" - o livro inspirou a composição de "Luto pela paz".
- Eu escrevi essa música na vila dos diretórios da PUC, estava uma confusão danada, uma barulheira e eu comecei a escrever. Castro Alves inspirou porque ele fala do sofrimento dos escravos e, naquele dia, era dia de Zumbi dos Palmares e, na verdade, é isso que nós somos: um trabalhador, um guerreiro. Em 15 minutos estava pronta. - diz Paulo
Albano suavemente.
Luis Carlinhos e João Bina conheceram Paulinho pelo campus da PUC. Desde primeiro de abril de 1996 ele trabalha na universidade, e perambula entre os estudantes com seu violão embaixo do braço e os papéis com as letras das músicas nos bolsos. "Eu vim aqui para trabalhar. Mas aqui, aprendi com os amigos que tenho valor". E foram surgindo amizades que se tornaram parcerias.
- Ele é uma pessoa muito leve e espirituosa. Super humilde, valoriza os amigos pelo o que eles são e não pelo o que têm. A simplicidade do Paulinho é maravilhosa, ele se contenta com poucas coisas. Além disso, ele é um poeta de mão cheia. - elogia Luis Carlinhos.
A simplicidade Paulinho aprendeu em casa, filho de um pedreiro boêmio que fazia seresta e adorava Cartola e Pixinguinha, foi o sexto a nascer dos 10 irmãos, no dia 23 de abril de 1969. Ainda na infância, driblava as dificuldades financeiras pelo amor à música; comprou seu primeiro violão aos 12 anos, com o dinheiro que seria investido em livros escolares. Enganou o tio - financiador dos livros - e se aproveitou do antigo dono do instrumento que estava louco para ir num jogo do Flamengo e não tinha dinheiro para o ingresso. Hoje, Paulinho diz que "isso é coisa que não se faz". Entretanto, ele não só fez como em seguida compôs sua primeira música "Mundo Atroz": "No sofrimento um grito de dor/ na agonia lágrimas de amor/ lutar contra um leão feroz/ é melhor que ser um homem atroz", escreveu Paulinho inspirado pela violência de Nilópolis nos anos 80. Depois desta vieram tantas outras, ¿incontáveis¿ para o próprio autor. Em 2001, "Luto pela paz" ficou entre as músicas mais tocadas por uma rádio em Florianópolis, "isso para mim foi um sonho, me sinto um homem realizado", emociona-se Paulinho, deixando transparecer no ar cansado os efeitos da galopante diabete.
Não foi apenas o Dread Lion que gravou canções de Paulinho, outras grupos como o Fazenda Modelo - que tocou "Praia do Sono", composta por Paulinho em 2001, para um público de mais de 50 mil pessoas, no Fórum Social Mundial de Porto Alegre de 2002 - e o Arcos do Choro também levam o nome do servente para fora do campus da PUC. Todavia, apesar do sucesso das letras nas vozes e instrumentos de bandas conhecidas no cenário nacional, as composições que mais dão dinheiro a Paulinho são as músicas evangélicas. Com a ajuda de João Bina ele conseguiu gravar um disco e vende por R$10 na porta do templo que freqüenta perto de casa.
- Eu acho que este é o maior filão para o Paulinho. Não há como negar esse mercado da música evangélica. Eu adoro as letras que o Paulinho escreve e que ele diz que não pode tocar na igreja, mas ele tem que ganhar o dinheirinho dele - planeja João Bina.
Os ensinamentos da igreja evangélica ajudam Paulinho Albano a ser um homem realizado. Ele diz que não precisa de mais nada, que tem tudo que quer: Jesus Cristo, família, amigos e a música; luta contra as dificuldades com bom humor e não poupando carinho pelos os que o cercam. Paulinho é do tipo de pessoa que, parafraseando Castro Alves, "como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da prosa - este sopro do alto: do coração - este pélago da alma".
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